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quarta-feira, 18 de março de 2009

Lixo

Longe dos olhos, muito perto do nariz.

É inevitável. Dia de chuva, enxurrada nas ruas e sacos de lixo boiando na água. E lá se vão, a entupir bueiros, espalhar detritos, se fazer notar aos desatentos.

Em tempos antigos, quando vivíamos em tribos, sabíamos muito bem da influência de nossas sobras e restos. Lidar com o lixo era tarefa conhecida desde o berço.

Nas grandes cidades nos descolamos do real. Embalamos nosso refugo, em sacos assépticos e lindos e colocamos na calçada para o lixeiro levar. Pronto. Tudo resolvido!

Alto lá, cara pálida. Essa é a versão do conto de fadas. Infelizmente, a mais presente nas cabecinhas habitantes dos imensos espaços urbanos.

As coisas simplesmente não somem. Levam algum tempo para se degradar, se decompor e, quando possível, retornar ao meio ambiente. Porém, não há natureza que de conta dos enormes volumes produzidos por populações de dezenas de milhões de humanos.

Então tiramos da vista. Mandamos para aterros sanitários, normalmente na periferia da cidade, para, esquecido, um dia se consumir. Relevo artificial criado daquilo que desprezamos, sobramos ou desperdiçamos. Sina incontrolável de processar.

Por vezes, a realidade bate à nossa porta. Vem nos tirar do sono idílico para chamar à luz da responsabilidade. De acordo com reportagem da revista Época, de duas semanas atrás, os lixões (aterros sanitários) de São Paulo estarão totalmente esgotados daqui a dois anos!

É isso mesmo... Vão abrir o bico. Estão no seu limite de armazenamento e precisarão ser fechados. O que fazer então? Alice no país das porcarias prontamente responderá: criamos novos! Tsc, tsc, tsc... E eu pergunto: até quando?

Nem precisamos lembrar da importância da reciclagem. Ou talvez precisemos, sim. Grande parte de nosso lixo em vala comum, indigente, é material nobre, pleno de reaproveitamento. Só que seu potencial fica perdido, sufocado pelo metano dos colegas orgânicos.

Por outro lado, a questão mais premente é o uso consciente. O descarte é apenas o curso final, a consequência do cotidiano. Vemos muito desperdício, consumo excessivo, escolhas erradas, que só culminam nos edifícios (nada edificantes) empilhados de massa pútrida e fétida. Se antes, usarmos adequadamente, comedidamente, quem sabe produzimos menos e descartamos melhor.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Biocycle

Quem diria, plástico pode ser biodegradável!

Isso pesa nos argumentos da neutralização. É preciso esclarecer, não estamos falando dos tradicionais polímeros utilizados pela indústria, mas de uma invenção nacional, o plástico da Biocycle.

Dos meandros da agrotecnologia, surge essa versão produzida a partir da cana-de-açúcar. Resultado de processo que utiliza tecnologia limpa, promete alternativa promissora aos impasses do consumo e o ambiente.

Apresentado em variadas versões, com propriedades e utilizações diversificadas, possibilita sua aplicação em grande parte dos processos da utilização atual.

Fruto da pesquisa brasileira, o produto é também demonstração da vocação nacional pela inovação e criatividade. Trabalho com mais de 10 anos de existência, sua escassa divulgação restringe o acesso ao conhecimento de grande parte da população.

Quantos outros produtos e tecnologias estão circulando em nosso meio, acontecendo, com potencial transformador e nem ficamos sabendo. Mesmo sendo iniciativas privadas, certamente desejosas de retorno financeiro, merecem referência e reverência.

Já nem me lembro há quanto tempo soube das próteses de mamona... Outra revolução da pesquisa brasileira, pouco se houve sobre sua existência e aplicação. Por exemplo, com materiais orgânicos construímos substitutos para ossos, com resistência equivalente, sem provocar rejeição.

Exemplos de nossa capacidade, principalmente se levarmos em conta as dificuldades e a falta de incentivo em nossa sociedade. Aliados à natureza, talvez fruto da profunda intimidade e oferta dela com as quais fomos agraciados em nossa terra, provemos soluções inteligentes e eficientes.

Quais não seriam nossas respostas se melhores condições fossem propiciadas? Atenção ao processo educacional, incentivo concreto à pesquisa profissional, crédito disponível para a construção de novos empreendimentos... Apenas um projeto de longo prazo sustentará nossa evolução. Inevitável, somente em longo e custoso tempo podemos entrar um ciclo fértil de produção profícua e volumosa. Potencial há.