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quinta-feira, 5 de março de 2009

TinEye

Reconhecimento de imagens é coisa para humanos.

Pois bem... Era! Diversos mecanismos tecnológicos surgidos nos últimos tempos provam que essa capacidade pode ser aprendida por nossas criações, nossos pequenos monstros de Frankenstein.

O último que conheci foi o buscador TinEye. Serviço web gratuito, ele consegue localizar uma imagem, enviado um arquivo ou uma url, através de sua crescente base de pesquisa, coletada pela grande rede.

Mesmo com sensíveis alterações, não apenas de contraste e brilho, mas inserção de textos ou recortes, consegue identificar imagens provenientes da mesma fonte.

Por exemplo, pesquisei a imagem utilizada no meu post "Surreal", do artista Li Wei. Foram encontradas 22 cópias pela Web, algumas com legenda ou com um crop diferente da postada, incluindo algumas montagens e outras de tamanhos diferentes do original.

Realizei outra pesquisa interessante a partir do meu avatar, presente no perfil do meu blog. Como eu utilizei uma ferramenta de criação disponível na Internet, o buscador encontrou diversos avatares similares ao meu. Outras versões (são 26) da minha imagem real? Vale a pena conferir...

Curti observar até mesmo a distribuição ao redor do planeta. As várias versões do meu ser estão espalhadas praticamente pelos 5 continentes. Pena que com fotos o resultado não ocorra por similaridade. Poderíamos ver muitos sósias espalhados por aí.

Voltando as fotos, o serviço é uma ótima pedida para verificar o uso indevido de algo com direitos autorais restritos. A base de pesquisa ainda não é ampla, mas já conta com mais de 1 bilhão de registros. É questão de tempo para a cobertura se tornar muito mais abrangente.

No blog do site há uma dica legal de utilização: como caçador de mitos! Usaram o exemplo de uma foto presente no site BoingBoing, mostrando uma cobra gigante nadando em um rio em Borneú. A pesquisa revela a imagem original e denuncia a montagem. Acabaram com a graça dos sites de mistérios. Ou não...

Fico a pensar a imensidão de redundâncias existentes pelas páginas. Procurei uma imagem do Rio de Janeiro e usei como base de pesquisa. Localizei 128 imagens! Pensando em Lavoisier, imaginem como isso é comum. Aplicado à infinidade de imagens disponíveis, a progressão geométrica deve ser singular!

Maravilhas da tecnologia moderna, a explorar as inovações da inteligência artificial. Certamente consegue fazer o mesmo reconhecimento que nós faríamos, só que com uma atenção triplicada aos detalhes, num tempo infinitamente menor. Os filhos sempre acabam superando os pais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

ASCII

Poucos recursos, muita criatividade.

Aviso de antemão que este é um post jurássico, ou sobre história, ou sobre coisas que os mais jovens nem imagina que existiu. No caso, brincadeiras com ASCII.

No remoto passado, mesmo que seja a pouco mais de uma década, os computadores possuíam uma interface mais rústica, quase áspera, baseada apenas em texto.

A representação das letras (caracteres) neste mundo foi codificada em uma tabela, chamada tabela ASCII. Letras e símbolos recebem um código, o conjunto de bits que os representam no computador.

Isso não foi empecilho para que seu uso mais criativo fosse feito. As formas deste conjunto poderiam ser compostas e representar mais do que símbolos fonéticos. Aproveitando apenas suas linhas, ou sua sobreposição para obter tons e contrastes, surgiu a ASCII Art.

Tal emaranhado de símbolos formava imagens, de simples grafismos a reproduções de fotografia. Para os casos mais complexos, há programas que realizam a conversão de uma imagem numa arte baseada em texto.

Quantas vezes vi essas imagens serem produzidas em impressoras matriciais, vagarosa e dispendiosamente. Sinfonia de marteladas e guinchos de cabeças de impressão. Por todos os cantos, usuários se fascinavam com os resultados obtidos! Algo chamado atualmente de 'viral'.

Pegue uma seqüência de imagens deste tipo, reproduza-as continuamente e teremos um ASCIImation. Um pequeno filme feito do intricado quebra-cabeça. Lembro-me bem de um dos primeiros... Um episódio inteiro de Star Wars!

Naquele tempo tínhamos que conectar em um servidor, através de telnet, para podermos assistir o filme completo. E dá-lhe esperança da conexão estar boa... Facilitando nossa vida, hoje é possível assistir a animação através de um site, com um pé nas costas com as velocidades atuais.

Ainda são feitas produções nessa área. Nostálgicos desafiadores ou novos descobridores da antiga arte. Até a banda AC/DC lançou um videoclipe baseado na 'tecnologia'. Apesar do inconveniente de ser distribuído em uma planilha de cálculos, pode-se ficar tranqüilo, baixá-lo e assisti-lo.

Pois é, o espírito da abstração e da criação continuam vivos através dos tempos. Se bem que, as sagas nos domínios Império Galáctico e os shows da banda dos irmãos Young não são grandes exemplos de modernidade. Combinam bem mais com o modo texto mesmo... :)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Labeler

Reconhecimento de imagens: tarefa de avançada complexidade.

Máquinas de reconhecimento que somos, nascemos com tal capacidade e nem percebemos. Desde pequenos podemos reconhecer rostos, sons, principalmente ligados a nossos pais (os mais interessantes por sinal).

Ainda assim, certa vez em meio a uma grande loja de departamentos, observei uma pessoa se aproximando de mim, sem reconhecê-la imediatamente. Somente quando estava bem próxima, reconheci minha tia!

Alguém que conhecia praticamente desde meu nascimento. Inserida em um contexto inesperado, sem familiaridade, não fui capaz de associar sua imagem com a minha lembrança familiar. Acabei surpreendido e intrigado... Além de um pouco sem graça, pois quase passei por um sem-educação.

Então, qual não será a dificuldade de fazer um computador entender um padrão de imagens? Esqueçamos figuras geométricas simples. Pensemos em imagens bem reais, repletas de detalhes, nuances de cores e tons, ângulos variados.

Um algoritmo rápido e preciso seria solução sem igual para um mecanismo de busca. Poderíamos solicitar a pesquisa apresentando uma imagem, ou uma idéia, e ele iria nos apresentar imagens relativas ao pedido. Profissionais da imagem, do vídeo ou dos grafismos, seriam abençoadas com organização facilitada e eficiente.

O pessoal do Google desenvolveu uma alternativa interessante: o Google Image Labeler. Ao aceitar participar do programa, passamos a colaborar com nosso trabalho literalmente etiquetando as imagens armazenadas em seus bancos de dados.

Para garantir a precisão da classificação, fazemos o trabalho em conjunto com outro usuário, presente em qualquer lugar do mundo. Se escolhermos a mesma palavra de classificação para uma imagem, esta será considerada válida.

Coincidências aceitas rendem pontos. O acúmulo de pontos nos posiciona em um ranking, em uma espécie de competição. Quanto mais detalhada a descrição, mais pontos renderá. O prêmio consiste em notoriedade! Alimento para o ego dos novos tempos.

Interessante alternativa... Trabalho gratuito. Identificação aprimorada. Coletividade incentivada. Egos escovados. Ingredientes da nova cultura digital reunidos em prol do aprimoramento da inteligência global. E também dos bolsos da empresa... :)

Fica pendente a avaliação do ponto de vista da etiqueta. Como encarar sermos transformados em etiquetadoras? Devo confessar que já andei fazendo alguns pontos.