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sábado, 14 de fevereiro de 2009

Murphy

Azar acontece até no espaço.

A famosa Lei de Murphy não escolhe hora, nem lugar, está comprovado! Terça-feira desta semana, dois satélites artificiais colidiram, em órbita.

Nem a data deu sorte... O evento poderia ter ocorrido ontem, sexta-feira 13, dia estigmatizado em muitas culturas, mas seria muito preciso para a fatídica lei.

Se o espaço fosse pequeno, exíguo, até acreditaríamos de cara. O que não falta lá em cima é espaço! Tudo bem que o lixo abunda por aquelas bandas, alguns milhares de objetos, mas mesmo assim é muita coincidência.

Em tempos de humores estremecidos, adivinhem ainda qual a nacionalidade dos ditos cujos: um russo e um americano. Parece provocação da época da Guerra Fria.

Porém a Lei de Murphy é sábia. Se fosse a vinte e poucos anos atrás, mesmo que os dois lados quisessem, jamais conseguiram provocar a colisão de seus artefatos. A própria lei realizaria todos os esforços para impedir.

Os dois trambolhos, um pesava 500 kg e o outro cerca de 1 tonelada, devem ter gerado uma tremenda chuva de pequenos pedaços. Ou viraram mais lixo pulverizado naquela região, ou terminaram seus dias como uma bela coleção de estrelas cadentes, ao se queimarem na entrada da atmosfera.

Já acharam um culpado: algum operador negligente russo. Isso porque o satélite russo estava desativado e deveria ter encerrado carreira incinerado na re-entrada, como o destino de qualquer outro na mesma situação, segundo o código de conduta acertado entre os países detentores de tal tecnologia.

Reavivamos um dos nossos maiores temores. Não, não me refiro à guerra em escala global. O temor é quanto a colisão de algum objeto espacial com nosso planeta. Tal fenômeno causaria estragos severos no ambiente terrestre, como deve ter ocorrido no período da extinção dos dinossauros.

Ao menos assim o programa Orbital Debris, da NASA, se faz valer. Ele rastreia qualquer objeto com mais que 10 centímetros orbitando a Terra. Há também os projetos e missões, como o Deep Impact, para estudar e nos proteger de grandes objetos cósmicos em rota de colisão com nossa casa. Ganharam credibilidade.

É primeira vez que um fenômeno destes aconteceu. Esperamos que a baixa probabilidade deixe outros à beira da impossibilidade. Possuo pouca habilidade para astro de filme do tipo Armageddon. Nem sempre lembramos disso, mas o planeta água é a única moradia viável conhecida para a humanidade.

sábado, 15 de novembro de 2008

Sinais

Não estamos sós?

Pergunta residente no pensamento de considerável número de pessoas... Conseqüência da curiosidade humana pelo desconhecido. Em princípio, já contatamos todo mundo em nosso planeta, faz tempo buscamos pelo universo.

Há anos colaboro com o projeto SETI, uma grande rede de processamento de sinais de telescópio, a procura de evidências da existência de vida inteligente extraterrestre.

Bem além da ficção científica, o projeto acadêmico, conduzido na Universidade Berkeley, se motivou com a obtenção de um sinal a cerca de 30 anos.

Em outra instância, grandiosos e intrigantes, sinais produzidos pelo corte de vegetação, em diversos locais do planeta, sugerem mensagens criptográficas deixadas por alguma outra civilização ou ser extraterrestre.

O assunto foi tema do filme "Sinais", estrelado por Mel Gibson e Joaquin Phoenix. A aventura com o toque de mistério espacial semeia perguntas e provoca curiosidade. Pena a trama procurar explicar, dar uma resposta definitiva, as causas do fenômeno.

Sua ocorrência pelo mundo coloca a discussão num espectro distante. Porém, nesta semana foi a vez de uma região brasileira, em Ipuaçu, Santa Catarina. Os tais desenhos apareceram em meio a uma fazenda, fazendo com que seu proprietário considerasse se tratar de alguma molecagem.

Molecagem um tanto dispendiosa... O porte do trabalho é o bastante para dificilmente passar despercebido. Devem ser necessárias máquinas, tempo e experiência suficientes para realizá-lo. Além do fato de ser assemelhado com as outras ocorrências mundiais.

Já se foi o tempo de nosso ET de Varginha... O caso com ares de Área 51 tupiniquim provocou alarde há 12 anos, mas esteve aquém de apresentar alguma evidência mais concreta. Muita especulação e teoria da conspiração... Agora o mistério é inegável!

Brincadeira bem bolada? Conspiração mundial de ufólogos? Fogos de artifício de governos? Tentativa de contato de civilizações mais avançadas? Especulações, apenas especulações... Só que num planeta tão vigiado por satélites, tão registrado pelas mais diversas tecnologias, é bem provável que alguém já saiba a resposta.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Arte

Arte humana se compõe dos mais diversos elementos.

Ao apreciar a foto ao lado podemos reparar nas nuances de cor, nos contrastes obtidos, no tema escolhido, no momento capturado.

Tudo muito harmônico, bonito de se ver, se a imagem não se tratasse do lixo espacial produzido pela humanidade, desde os anos 50 e registrado pela Agência Espacial Européia.

Impressiona saber que se estima o lançamento de 6.000 satélites, nestes 50 anos de exploração espacial. Apenas cerca de 800 ainda estão ativos e poucos dos restantes foram trazidos de volta. Seus restos mortais estão lá...

Um real e concreto cemitério de satélites e equipamentos de espaçonaves. Triste destino para cada um dos 200 lançados anualmente. Terminado sua função, por projeto ou por obsolescência, são esquecidos nas distantes órbitas geoestacionárias.

É pouco o efeito de nossa ação no próprio planeta. Precisamos mostrar nossa grandiosidade e poluir, destruir, o espaço extraterrestre também. Personalidade megalomaníaca, essa humana! Nos sonhos, ou nas artes, somos sempre superlativos.

Arte do tipo de molecagem. Não expressão artística. Coisa de arteiro e não de artista. Aguardamos a situação chegar à beira da irreversibilidade, ou depois dela, para nos alertamos, nos preocuparmos. Depois reclamamos do pragmatismo tupiniquim...

O pragmatismo me parece impregnado na alma do homo sapiens. É questionável até mesmo a denominação 'sapiens'. Constantemente tomado por um impulso quase sobrenatural, ignora toda sua capacitação filosófica no momento de agir.

Sabedoria muito maior terá de ser empregada, para não vermos a nossa arte espacial se transformar em uma imensa chuva de caquinhos. Capaz de considerarmos a reluzente chuva outro tipo de fenômeno artístico.