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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Faroeste

Faroeste era o gênero preferido de meu pai.

Suas memórias vinham de tempos antigos, do cinema na infância, com as histórias de famosos caubóis e suas aventuras. O chamado bang-bang marcou seu imaginário e ele continuou a assistir até séries na TV.

Eu observava com interesse, mas não via tanta graça nos ilustres Bonanza, Laredo, James West, Laramie, dentre outros. O bacana era estar em companhia dele, curtindo aquelas histórias.

Ontem me peguei assistindo Star Trek (a série original). Mesmo com todo o seu desejo futurista, num fundo ela não difere muito de um bom western.

Diversos elementos do gênero comparecem: a disputa entre valentes, a luta contra o inimigo estrangeiro, a perseguição a um vilão extremamente mal-intencionado, a conquista de belas mulheres, a exploração de terras desconhecidas.

O visual é bem diferente. Os phasers têm muito mais funções, além de atirar. Suas "carruagens" são bem mais avançadas. A emoção da aventura continua igual, instigando nosso espírito desbravador, indo onde nenhum homem jamais esteve!

Assisti diversas vezes, diversos episódios, sem nem lembrar muitas vezes a ordem. Rever as aventuras é uma boa opção para momentos de ócio. É certo que existem outras séries, de tantos outros gêneros, também assistidas, mas esta tem um sabor especial.

Passou o tempo e as novas gerações da série mudaram bastante, principalmente na questão do comportamento das personagens, lhes dando um aspecto mais polido, mais politicamente correto.

Hoje são outros tempos, outros gostos, de certa forma transformados. A apresentação de ontem foi em excelente companhia, mas bate a saudade da boa companhia de meu pai. Espero ser um dia companhia tão boa para meus filhos...

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Carnaval

"Ô abre alas, que eu quero passar...
Ô abre alas, que eu quero passar..."


É Carnaval! Desista de fugir, pois não há como se esconder do período carnavalesco. Somos invadidos pela TV, jornais, ruas, em todos os locais o assunto é ele.

Trazido pelos portugueses, provavelmente no século XVI, com o nome de Entrudo, permaneceu até nossos tempos com seu caráter dicotômico, entre a diversão e a grosseria.

Tenho saudades do meu tempo de infância. E lá vem mais saudosismo... Brincávamos na rua, com esguichos de água. Improvisávamos pequenos bailes em nossas casas, com músicas, marchinhas, dança entre amigos e muita brincadeira.

As famílias se reuniam e não podiam faltar fantasias, principalmente para as crianças. Um primo mais velho podia nos levar em uma matinê, bem movimentada, para sambarmos bastante e suarmos a camisa. De vez em quando, íamos a avenida do bairro, ver os desfiles de blocos da região, escutar e sentir a batida forte das baterias.

Em algumas noites, parávamos em frente a TV, para assistir um pouco dos grandes desfiles de escolas no Rio de Janeiro. Dias de folia, festa do povo, confraternização, êxtase e descanso. Um digno período sabático!

O Carnaval já não é bem assim, as coisas mudam, a vida muda. O povo nem sempre tem acesso, existem os abadás, os camarotes, os lugares de destaque nas escolas. Existem muitos interesses comerciais, muito dinheiro gerado pela festa, fazer o quê?

O espírito da festa é mais forte. Ainda temos comemorações muito populares no interior, em capitais do Nordeste, como Recife, mantendo a chama da brincadeira, da alegria, da cultura popular, tão bem representada por seus embaixadores, como Antônio Nóbrega.

Seguimos assim, na procura do equilíbrio, à procura do essencial, da verdadeira diversão e sempre entoando: "Ô abre alas..."