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domingo, 25 de janeiro de 2009

Cidadania

Parabéns minha querida cidade!

Provavelmente, todos os anos parabenizarei a cidade de São Paulo, esfuziantemente. Inevitável a um paulistano apaixonado por sua cidade.

Digam o que quiserem, mesmo com seu frenesi, seus congestionamentos, esse gigante de concreto e almas tem muita beleza e vida para mostrar.

Inegável potencial, sem dúvida há muito para melhorar. Cidadãos por todos os cantos, com suas necessidades, suas carências, terminam esquecidos no agitado turbilhão metropolitano.

Quem sabe a cidade não guarda algum paralelo com seu patrono: São Paulo? De repente, ela vive uma história que culminará em grande transformação...

Um belo dia, com suas engrenagens a todo vapor, ela ouvirá uma voz vinda dos céus: "Paulo, Paulo, por que me ignoras?". E ela responderá: "Quem és Senhor?".

Ao ouvir a resposta, se defenderá dizendo que jamais o ignorou. Em pouco tempo descobrirá. Cada vez que esqueceu, abandonou, cada um dos pequeninos irmãos indefesos espalhados pelas noites frias de suas ruas, foi a ele que esqueceu.

Nós somos essa cidade. Sem nossa presença, resta apenas concreto imóvel, inerte, incapaz de mudar qualquer cenário. Toda vez que achamos normal uma criança faminta pedindo no farol, ou pior, quando ficamos com medo, somos nós a ignorar o chamado da vida.

Como exemplo, como guia, poderíamos ouvir muitas das célebres palavras do apóstolo. Inspirados por ele, trilharíamos caminhos melhores e mais humanos. Assumiríamos como lema sua frase: "Se eu não tiver amor, eu nada sou senhor!". Talvez isso esteja mais próximo da cidadania.

sábado, 9 de agosto de 2008

Feudalismo

E por falar em modernização...

Feudos surgem novamente! Ao menos um novo exemplar na cidade de São Paulo. O nome Shopping Cidade Jardim encobre o vulto do empreendimento, confundido com apenas um local de comércio.

O feudalismo morava apenas nas aulas de história. Pairava num passado distante, em mundos de reis e cavaleiros. Senhores feudais ostentavam seu poder e protegiam o povo a seu redor, com os devidos tributos e direitos.

Apesar de falar do empreendimento não deixar de ser uma propaganda, não consigo deixar passar. Protegidos atrás de seus muros estão unidades residenciais, escritórios comerciais, restaurantes refinados, além das lojas. Um mundo encerrado atrás de pesadas paredes de concreto.

A empreitada, tema da reportagem da revista Época São Paulo, de julho, conta inúmeras opções para quem desejar se enclausurar em meio à cidade, com todo o conforto e segurança típicos da neurose das grandes metrópoles contemporâneas.

Claro que não é para poucos... O shopping tem, por exemplo, a primeira loja da Daslu deste tipo. Dentre as residências, há unidades de 1.800 m2, com preços em torno de R$ 18 milhões, ou R$ 10 mil o metro quadrado! Podemos imaginar as grandezas para adquirir uma unidade comercial...

Diferente dos feudos do passado, agora diversos senhores se unem e se colocam entre muros. Trazem ao seu redor, como antigamente, suas necessidades para levar uma vida confortável. Só não garantem a moradia a seus vassalos, pois a modernidade lhes permite contratar apenas por salário e carteira assinada.

Ninguém está questionando o mérito das pessoas capazes de bancar os custos do local. Empresários de sucesso ou abastados brasileiros tradicionais, dedicados a seus vultosos negócios, que lhes rendem o suficiente para tanto. O duro é a lógica da estrutura formada.

Como bem lembrou uma colega de trabalho, por qual motivo um pedaço de solo da cidade, que a fim e a termo é o que se resume um imóvel, pode custar 20 vezes mais do que outro, a poucos quilômetros de distância? Qual a coerência de tamanha valorização?

Enquanto os habitantes continuarem sua cruzada, no erguimento de muros e separações, jamais veremos um local melhor para todos, mais humano e feliz. Pior... Certamente os muros terão de continuar crescendo, num ciclo sem fim. No caso deles, devem considerar ter um bom fosso circundando suas muralhas: o rio Pinheiros. Triste condição!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Concórdia

Caminhos diversos nos levam por caminhos esquecidos.

Em um dia de problemas no Metrô, numa não tão sábia decisão de voltar a pé para casa, atravessei um lugar de São Paulo há muito por mim não visitado: o Largo da Concórdia.

Revitalizado com sua retomada visual de praça, ele foi um novidade desconhecida para mim. Minhas lembranças do local ainda remetiam aos tempos de muitas barraquinhas de camelôs, com bastante confusão e correria.

O pessoal apinhado nos pontos de ônibus, e nos próprios coletivos, não mudou nada. No final da tarde, a região é uma 'ferveção', um burburinho gigantesco de pessoas na volta para casa, após um dia cotidiano de trabalho.

Desaceleração é a sensação pairando no ar. Até alguns minutos todo mundo estava afiado nas vendas, disputando seus clientes. Com o pôr-do-sol, ocorre uma sinfonia de portas de metal baixando, despedida de colegas de trabalho e a bebericação em diversos botecos, para uma happy hour.

Chamou-me a atenção mais ainda o nome do local: Concórdia. Tantas vezes o escutei, mas sem nunca ouvir. Concórdia, segundo o 'pai dos inteligentes', é um estado de harmonia, entendimento, concordância. Tudo bem que historicamente o local foi batizado para homenagear a guerra do Paraguai, mas isso é só um detalhe de pesquisa.

O local é símbolo dessa concordância. Representa essa mistura acolhida por São Paulo, de povos e culturas: nordestinos, libaneses, coreanos, judeus e outros tantos povos. Mistura de braços a mover uma cidade feita de gente.

São Paulo é esse sincretismo concordante. Essa mistura é o segredo de tanta energia. A energia é a razão do amor paulistano por essa megalópole retumbante!