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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Exportação

Rumos curiosos tomam as grandes populações...

Na semana passada, diversos meios de comunicação noticiavam o sumiço do trânsito de São Paulo. Falta de assunto ou surpresa real, as matérias vinham embaladas pelo sossego da cidade.

Acostumados a mais de uma centena de quilômetros de congestionamento, na última sexta-feira o problema nem chegava a uma unidade!

Descobri qual fim levou aquela multidão de veículos... Exportamos! Exportamos os congestionamentos para depois das fronteiras do município.

Pude constatar pessoalmente o oceano repleto de aço, borracha e gasolina que invadiu as estradas neste domingo. Uma fila sem fim, dando ares de pátio de montadora para algumas das principais rodovias do estado.

Como é possível uma auto-estrada ficar literalmente parada, sem a ocorrência de nenhum acidente? Nela não há semáforos, cruzamentos, esquinas, nada que justifique a estagnação do fluxo dos automóveis. O único acidente naquele momento era a coincidência da decisão para o momento de voltar...

Quem tem família no litoral, como eu, fica com poucas alternativas nas festas de fim-de-ano. Difícil entender quem se aventura no crescente caos apenas para se "divertir". Gostaria de entender a diversão de percorrer 200 km em cerca de 7 horas! Se bobear, até de jegue se iria mais rápido.

E olha que nem foi a maioria dos habitantes que se refugiou no litoral. Acho que nem daria... Se a grande São Paulo tem 19 milhões deles, se metade resolvesse fazer o passeio, a polícia rodoviária não poderia fazer uma "operação-feriado", teria que ser uma evacuação!

Pior que dificilmente teria sucesso. Do jeito que a coisa anda, no caso de um desastre como um meteoro (do tipo do filme "Armagedon") é melhor esperar a hecatombe por aqui mesmo. Pelo menos morreríamos apreciando um belo evento do universo. E pensar que, neste ano de 2008, a indústria automobilística colocou mais 2 milhões de veículos a mais nas ruas.

Sem muitas alternativas, ficamos com a promessa de não repetir a dose, permanecendo na cidade na próxima virada de ano. O duro é pensar como teria sido bom curtir calmamente a cidade, como fizeram alguns amigos. Mais ainda é lembrar disso em nova ocasião...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Guideo

Pilotos do trânsito mundial, preparem-se para seus co-pilotos.

Na situação mais corriqueira, na rua da pequena cidade, ou em uma grande auto-estrada, podemos contar com novo auxiliar: o Guideo.

Tudo bem, ele têm um alto salário, ou custo de aquisição (cerca de US$ 2.000,00), mas pode revolucionar sua segurança ao volante. Parece até propaganda... :)

É apenas efeito do espanto pelo número de funções que ele pode desempenhar. Representa a concretização de muitas tecnologias em um único equipamento, além de bastante inteligência artificial. E lá vêm os robôs!

Um colega de trabalho, recentemente, mencionou achar que o futuro dos robôs, talvez se traduza muito mais em pequenos dispositivos embarcados em equipamentos da vida cotidiana, do que em autômatos ambulantes. Parece opinião acertada. E agora, saudoso Asimov?

O pequeno sistema comercializado pela empresa Valeo, no mercado externo, promete controlar mudanças de faixas inesperadas, acelerações e desaceleração anormais do automóvel, alertar sobre situações de possível impacto e ainda registrar momentos decisivos em casos de acidente.

É bastante responsabilidade para uma pequena "pecinha"! Como será afetada a psicologia dos motoristas quando recursos dessa natureza estiverem amplamente difundidos? Estaremos mais displicentes, ou despreocupados, na condução dos veículos?

Remover potencialidades do ser humano incorre em conseqüências indesejáveis. Conduzir um carro de passeio não é difícil. Difícil é a compreensão das variáveis envolvidas, dos riscos e da responsabilidade. Imprudência está presente cotidianamente. O trânsito nas grandes cidades, em parte, é causado por essa displicência, muito mais do que o volume de carros.

Corretores ortográficos já são exemplos dos efeitos da automação. A confiança nestas peças de software mostra seus efeitos. Trocamos a ciência pela insipiência. Nesse caso, ninguém morre, a não ser um pouco da língua portuguesa.

Se o controle veicular aumentar muito, teremos vias a nos conduzir, sem a necessidade de pegarmos ao volante. Com o intenso tráfego metropolitano, acabaremos em um metrô de superfície, formado por uma longa e bem controlada fila de automóveis.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Pateta

Irracionalidade nos habita a espreita do momento para se manifestar.

Transitar pelas ruas de São Paulo, com um automóvel, perdeu há muito tempo o sentido de transitar. Não há mais horário calmo. Raros são os momentos de tranqüilidade ou previsibilidade.

Sou usuário antigo do sistema de transporte público. Facilidade para quem sempre morou ao lado de uma estação do Metrô. Para os demais desafortunados, habitantes dessa megalópole, resta muitas vezes utilizar um veículo próprio.

É sofrível. Coisa mínima a se mencionar. Em poucas vezes, de rara necessidade, vivenciei o caos dos horários de pico, dentro de um carro. Como é possível suportar? Percebo que as pessoas vão se martirizando e acostumam. Acham normal desperdiçar muitas horas de suas vidas apenas em locomoção.

Fenômeno mundial, o caos do trânsito provoca as mais diversas reações nas pessoas. O comportamento alterado, ou a relação humana com esse desafio, já ganhou definição: road rage. Um das causas é a tensão entre a expectativa de velocidade do motorista e os índices obtidos com as condições oferecidas.

Lembro muito de um episódio do desenho do Pateta... Um cidadão pacato e "normal" assume papel transtornado ao assumir o volante para seu cotidiano em meio ao trânsito. Alterego de muitos ditos humanos, rimos de suas peripécias para não chorar.

Alguns xingamentos aqui, outras aceleradas ali, e a tensão se avoluma. Qualquer indivíduo está exposto e sujeito. Seja por puro envolvimento, ou por total angústia pela falta de poder frente ao problema, a intolerância e o destempero nos tomam completamente.

E assim seguimos em nossa raiva rodoviária. O estudo da road rage conta até com questionário de avaliação, para identificação do estado de cada pessoa. Na opinião de algumas pessoas, a questão atingiu importância de saúde pública.

Já se vão mais de 50 anos, que Disney parodiou tão magnificamente a situação. Premonição, vidência ou análise? Os inúmeros patetas que se cuidem, senão acabam imobilizados em seus automóveis.