quinta-feira, 15 de novembro de 2007

e-Morte

Como será a vida após a morte?

Encontraremos vales verdejantes? São Pedro nos recepcionará na entrada? Ficaremos muito tempo no purgatório? Uma luz aparecerá para nos guiar no caminho?

Cheguei à condição de explicar... Vivo uma situação pós-morte! E não é uma experiência de quase-morte. Explico-me...

A morte vivida por mim é uma morte virtual ou, como batizei, uma e-morte. Deixei de acessar o Second Life por cerca de um mês e, quando fui tentar voltar, meu perfil estava bloqueado, morto! Um mês de sumiço foi suficiente para me cancelarem por inatividade.

Até havia uma mensagem de como solicitar a recuperação da conta. Enviei a mensagem para o suporte, mas o máximo que consegui foi uma sugestão de criar novo cadastro. E as minhas propriedades virtuais, meus lindens conquistados com duro trabalho? Tudo foi esquecido...

Como não tinha muito tempo a dedicar a esse mundo, decidi deixar para lá e nem me cadastrar novamente. Não vou reencarnar em outra personagem. Talvez esse seja mais um dos motivos da estagnação do próprio sistema do Second Life.

Pelo jeito, além de nossa vida, nossa morte e pós-morte são mais interessantes em nossa First Life, ou First Death. Ainda bem...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Virtualização

O momento é de experimentar a criação de máquinas virtuais.

Pode até parecer alguma experiência esotérica, mas é uma tecnologia muito útil em tempos de otimização. A criação de máquinas virtuais, ou também chamada virtualização, permite a execução de diversos sistemas operacionais em uma única CPU.

É um conceito antigo para os usuários habituais de mainframes, trazido há algum tempo para o mundo dos microcomputadores, a computação pessoal.

Uma vantagem inicial é a utilização plena de um recurso de hardware, com o balanceamento adequado. No meu caso, a tecnologia permite a experimentação de diversos sistemas operacionais e configurações, sem a necessidade de reinstalação completa da máquina.

Com uma nova máquina em condições de suportar a tarefa, pude testar diversas soluções para esse fim: VMWare, Xen, Virtualbox e outros. Todos têm funcionalidades parecidas e permitem o uso completo da tecnologia. A escolha fica a cargo da empatia com o software (se é que podemos 'sentimentalizar' essa relação... :) )

As máquinas com processadores de núcleo múltiplo (dois, quatro e, no futuro, mais alguns núcleos) dão conta do recado facilmente.

Paro um segundo para analisar: múltiplos sistemas, múltiplos núcleos, ubiqüidade de informações... Só há um senão em toda essa equação: eu ainda sou apenas UM!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Robôs

Contaminado pelo bacilo libris viccium, não resisti a comprar os três volumes de "Histórias de Robôs", de Isaac Asimov.

Os volumes são compilações feitas por Asimov, agrupando diversas histórias sobre robôs, das mais diferentes épocas, escritas por vários autores, inclusive o próprio.

Em formato de pocket book é uma leitura cativante, difícil de largar e acessível para os mais diversos públicos. As histórias oferecem um belo apanhado das idéias sobre a ficção dos autômatos.

É surpreendente descobrir que no século 19 já haviam sido compostas peças de ficção sobre o tema. Imaginem o que poderia ser a tecnologia dos anos 1832, 1912, 1934 ou 1940, só para citar alguns exemplos.

Essa coleta apresenta com muita clareza a rica influência recebida por Asimov, para se tornar o grande expoente da área.

Ao ler os contos, se nota a quantidade de problemas propostas nas relações com as máquinas, mas que em sua grande maioria espelham os problemas comportamentais humanos. Afinal, elas são nossas criações e herdam nossos defeitos... É um tanto quanto genético!

Mesmo não sendo uma tradução primorosa, pois dá para se perceber uma série de pequenos probleminhas, ou pequenas questões de estilo, ainda oferece divertidos momentos de leitura.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

HD DVD

Estamos diante de um novo embate entre padrões da indústria de eletrônicos.

Tal como um dia Betamax e VHS disputaram qual seria o padrão adotado pelo mercado, hoje o HD DVD e o Blu-Ray estão em uma longa contenda para tentar assumir a dianteira.

É bem verdade que a disputa ocorre em ritmo mais lento, pois já está em pauta há um bom tempo.
Atualmente, é comum os aparelhos adotarem certa convergência e aceitarem diversos sistemas. É um fator a colaborar com a demora. Existe também o fato da experiência anterior e a indústria ficou mais cautelosa em tomar partido.

O discurso de ambos os lados remete às qualidades de cada padrão. Todos estão buscando a maior definição de imagem, capacidade de armazenamento e recursos de proteção. Porém, se a história se repetir, acabaremos com uma decisão baseada no custo. O consumidor tem essa tendência, principalmente quando as opções são tão equiparadas.

Diversos fabricantes já apresentaram suas soluções e até mesmo a indústria de games já colocou sua fichas na banca. A profusão de opções apenas aumenta a dificuldade de adoção de uma única tecnologia.

Por que insistir em ficar apenas como uma? Não será possível a coexistência saudável de diversas opções?

A bem da verdade, ainda talvez seja cedo discutir, afinal os preços dos equipamentos pioneiros são altos o suficiente para adiarmos mais um pouco a discussão... :)

domingo, 11 de novembro de 2007

Entender

Entender
(Evandro Souza)

Tentei entender o amor
Conheci um bombeiro dedicado
Apesar do trabalho de risco e suor
Continuava, pela vida, obstinado

Tentei entender o amor
Encontrei muitos recém-casados
Cada dia, a cada flor
Pareciam sempre mais enamorados

Tentei entender o amor
Convivi com amigos leais
Aproveitavam da vida o sabor
Compartilhavam momentos reais

Tentei entender o amor
Observei jovens amantes
Apesar de etnia ou de cor
Construíam histórias inebriantes

Tentei entender o amor
Presenciei muitas bodas de prata
Em todo tempo, na alegria ou na dor
Partilhavam alegria inata

Tentei entender o amor
Por mais que pudesse buscar
Compreendi o mais simples a supor
que ao amor basta amar

sábado, 10 de novembro de 2007

18 anos

Por algum motivo definiram a idade de 18 anos como o limite para a maioridade. O motivo certamente está relacionado à maturidade psicológica, mas o fato é que dezoito anos são uma vida.

O tempo é muito relativo, para uns passa extremamente depressa, para outros custa a passar, se arrasta. Mesmo em nossa experiência pessoal, dependendo da situação momentânea, ele tem um curso completamente distinto.

Em um relacionamento, para os padrões dos dias atuais, dezoito anos são um recorde! Não deveriam ser, mas as instabilidades e imaturidades de nosso tempo fazem muitos deles ruírem, se é que poderíamos considerá-los estáveis.

Mesmo em condições normais de temperatura e pressão, a temperatura e pressão jamais serão constantes em um período de tempo dessa dimensão. Nesse período muito muda, nós mudamos, o planeta muda, e são os laços de amor cultivados com sinceridade que garantem a sobrevivência.

Observemos os últimos dezoito anos... Há dezoito anos o muro de Berlim caiu. Lula e Collor disputavam uma eleição histórica. O Senna ainda não era tri-campeão de Fórmula 1. AIDS era o flagelo dos deuses. CD era uma novidade exclusivíssima. Internet era um sonho muito distante. Celular era impensável. Diários em blogs então, nem se fala. Outros tantos fatos são praticamente ficção para as crianças do século XXI.

O amor continua o mesmo. Sempre metamorfo, sempre criativo. É o mesmo, sempre diferente, a se reinventar e sobreviver. Mutante, ele muda nossa vida. Por dezoito anos de transformações, muita alegria e construção de felicidade, só se pode dizer: Parabéns!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Espectador

A paternidade nos transforma de muitas maneiras.

Nossa perspectiva muda, temos agora uma preocupação com alguém mais, uma série de planos surgem desde a primeira notícia recebida.

Sabemos da importância de nossa participação, na concepção e na futura educação, no acompanhamento de uma nova vida. É responsabilidade enorme!

Porém, durante o período da gestação, em diversos instantes, a minha sensação é de espectador. Sou consciente de minha importância antes e depois desse período, mas a impressão é de que neste momento a mulher está com todo o trabalho e a nós homens só nos resta assistir.

Eu fico a observar as mudanças na minha esposa, a esperar as notícias de um novo exame de ultra-som, a colher um pouco de instrução sobre a nova fase em nossas vidas.

Esse estado todo de observação me propicia muito tempo para reflexões, encanações, inquietações... Como será? Serei um bom pai? Mudaremos para onde? Como serão os cuidados? Como me verá um dia?

Ainda bem que recobro a consciência em pouco tempo e lembro de assisti-la, a minha esposa, lhe dando apoio, carinho e condições para esse período divino, mas delicado. Consigo me tornar menos espectador.

O que realmente não consigo é ser menos expectador!