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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mochileiro

Grande o mundo, caberá num celular?

Recentes apostas das empresas de tecnologia têm procurado fazê-lo caber. Ao menos o portentoso conteúdo do mundo virtual.

Apresentado a pouquíssimo tempo, o G1, telefone da T-Mobile com a plataforma Google, é o primeiro a fazer frente para o imponente iPhone, da Apple.

Particularmente, avalio o iPhone ainda alguns passos à frente. O G1 com todos os seus "abre e fecha" mecânicos, teclado minúsculo e tamanho portentoso, carece de aprimoramento em design.

Na página de apresentação, é possível conhecer um pouco do novo gadget, num web vídeo produzido pela empresa. Inegável a ótima idéia do Street View do Maps.

Com o recurso, qualquer pessoa um pouco mais "lesada", pode facilmente para em meio à rua, apontar para o local que procura entender e comparar o trajeto através de sua janela virtual. Simplesmente demais! Benesses da associação com o fornecedor do programa.

Certa vez comparei nossos amiguinhos tecnológicos com o Tricoder, sonho exacerbado da ficção científica de Star Trek. Depois dos últimos lançamentos, e suas pretensões, passei a achá-los mais parecidos com o Guia, do Guia do Mochileiro das Galáxias.

Na triologia de "4" livros, de Douglas Adams, os personagens contam com seu gadget, repleto de informações coletadas de todos os cantos do Universo, acessíveis em qualquer lugar, a qualquer hora, com velocidade impressionante. Semelhança impressionante, não? :)

Se os celulares ainda não chegaram a esse nível de excelência foi apenas por falta de tempo. Imagino, se um dia esses equipamentos estiverem difundidos profusamente, como ficarão as redes celulares? Suportarão a demanda por tanta informação? A difusão da tecnologia será em ritmo suficiente para permitir o acompanhamento das estruturas de TI?

Complicado descobrir, antever, se tamanho mundão caberá... Nesse caso, prefiro ficar com Drummond e o mundo que cabe no coração.

O mundo é grande
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O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Romance

Romances atuais vivem ricas experiências transformadoras.

Pelos menos as novas obras escritas com o aproveitamento de tecnologias modernas. Colaboração, Web 2.0, wikis, um pouco de tudo da idade mídia.

A editora britânica Penguin criou o projeto We Tell Stories. Com ele pretende explorar o âmago do conceito do hipertexto, fundamento primordial da estrutura da Web.

Nem sempre lembrado, tal tipo de texto permite construirmos um conjunto de documentos interligados, nos quais podemos navegar sem nenhuma linearidade.

As conexões surgem em palavras marcadas, os tais links, relacionadas às idéias descritas. Eis parte da mágica por trás da grande teia digital. Sou adepto deste tipo de construção e procuro sempre usá-lo (já deu pra notar aqui no blog? ;))

Escritores em parceira, com designers de games virtuais, constroem histórias baseados em clássicos editados por lá. Assim concebidas, elas são expostas no site do projeto, para permitir o acesso e interação.

Seis autores, alguns deles premiados, trabalham em seis histórias, durantes seis semanas. Estilos distintos, motes diversos, aproveitam das potencialidades das páginas HTML. A trama intrincada acaba ainda mais emaranhada através de sua versão virtual.

Baseada nas "As Mil e Uma Noites", uma das narrativas agrupa diversos texto em jornada labiríntica. Com a visualização de mapas, encontrados pela história, se salta para novos rumos a procura do final. Os mapas correspondem a mapas reais, disponíveis no Google Maps, permitindo a visualização do cenários concretos.

Com interfaces intuitivas, todas as obras cativam tanto pelo conteúdo como pelo mecanismo de navegação. Variadas leituras se tornam possíveis. Explorando conhecemos outros ângulos das mesmas linhas narrativas. Brincamos desestruturadamente com algo que estamos acostumados a seguir em linha.

Em semanas de Bienal do Livro, calha bem nova experiência literária. Experiência divertida e instigante, somado ao fato de não custar nada. Reflete a vida da forma sincera que se apresenta: gratuita e sem roteiro demarcado.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Mashups

Inventamos brinquedos para depois padecermos por eles.

Em muitos casos, para fugirmos do padecimento, inventamos outros novos brinquedos, na tentativa de resolver os problemas inerentes ao seu sucessor.

Com a criação da Internet, um volume considerável de informação veio bater à nossa porta. Talvez bater à porta não seja a expressão mais exata, mas uma inundação de conteúdo surgiu.

Para lidar com esses novos elementos, precisávamos de alguma maneira otimizada de acesso. A primeira idéia se materializou com a tecnologia push. Ao invés de irmos até os dados, eles vêm até nós.

Através de assinaturas, passamos a receber as informações produzidas pelos sites. Na esteira desta idéia, buscamos algo mais simples, sem a necessidade dos programas cliente da tecnologia. Foi criado o RSS.

A partir de então, conseguíamos selecionar mídias bem específicas e trazê-la para programas cliente bem simples, depois até para navegadores ou páginas Web. Tudo muito fácil de criar e utilizar, uma vez que suas origens estão na linguagem XML.

Inquietos com a novidade, criamos uma profusão sem fim de feeds RSS, para curar nossa ânsia por informação abundante. Até o ponto em que também deixamos de dar conta de seu volume. Nossa culpa, pois tudo na Web praticamente pode ter um feed ativo, como ocorre com os blogs.

Numa nova tentativa de contra-ataque, observamos o surgimento e consolidação das aplicações Mashup. Nestas aplicações podemos agregar, em uma única página ou tela, o resultado de inúmeras fontes de informação, como um cockpit da supervia de dados.

O grande trunfo da tecnologia está nas diversas ferramentas associadas, que permitem a criação de filtros e seleção das publicações, de forma "automática", em princípio. Aglutinamos a informação com certa inteligência embutida.

Todos grandes nomes da Internet estão investindo na novidade. O Google disponibiliza seu Mashup Editor. Já o Yahoo apresenta seu Pipes, para fazer a conexão das veias de dados. Finalmente, a Microsoft apresenta suas idéias sobre mashup, em seu site corporativo. Qual deles arriscaria ficar fora da jogada, não é?

Em meio a toda essa mistura, fica a dúvida de qual será a próxima empreitada. Depois de todo essa mixagem de idéias, podemos acabar misturados a elas e sem conseguir utilizá-las. Como nós sairemos dessa salada de informações? Sinal dos tempos...

quinta-feira, 13 de março de 2008

REST

Funcionalidade sempre demanda complexidade?

A evolução dos sistemas corporativos, e suas necessidades de integração, levaram ao desenvolvimento do SOA, ou Arquitetura Orientada a Serviços, em português.

Simplificando, peguemos os objetos criados em nossas soluções e os coloquemos nas redes. Eles atenderão as requisições através de seus métodos, ou metaforicamente, serviços.

Sistemas corporativos passam a figurar como uma coleção imensa de serviços disponíveis integrados e integrantes. Uma boa representante construtivista das necessidades operacionais de uma corporação.

Desenvolver soluções com essa arquitetura demanda planejamento, mais do que nunca. O arcabouço para contemplar todo o problema, principalmente nas densas estruturas corporativas, se torna mais complexo. A sopa de letrinhas é engrossada: WSDL, Webservices, UDDI...

Muitos desenvolvedores passaram a considerar toda a estrutura excessivamente complexa e corporativa demais. Em muitos casos, estaríamos matando mosca com bala de canhão. Em soluções menores, em ambientes mais simples, o custo de implementação da arquitetura a torna inviável.

Um solução tem sido apontada como boa opção para grande parte dos casos: a REST. A REpresentational State Transfer é uma proposta mais simples, mas mais crua também. Ela remonta os idos de 94, no início da Internet comercial, batizada à época como HTTP Object Model.

Roy Fielding, um dos principais autores da especificação do HTTP, em sua definição inicial, o REST representa um modelo de como a Web deve funcionar. Esses conceitos estendidos a sistemas distribuídos pretendem modelar uma boa alternativa aos padrões mais difundidos atualmente.

Entre prós e contras, cada proposta tem sua utilidade. Só não adianta tentar simplificar o SOA, nem começar a complicar o REST. Aliás, devemos atentar com a tentadora ilusão do segundo acrônimo. Alguém acredita existir descanso no mutante mundo da computação?