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domingo, 8 de março de 2009

Audição

Caminhos tortuosos da audição...

Inúmeras vezes, desconfio que a maioria das pessoas tem dificuldades em exercitar a audição, em ouvir o que lhe é dito, seja para aceitar um pedido, seja para compreender o outro.

Deve ter relação com alguma dificuldade humana em equilibrar fala e recepção. É atribuída a Sêneca a frase: "A fala é barata porque o fornecimento supera a demanda".

O velho filósofo grego, que no fundo era "o moço" ou "o jovem", deve ter observado tal desequilíbrio já naquele tempo. Quantas águas se passaram e continuamos os mesmos.

Problema maior é que dependemos imensamente da comunicação. Ela implica em diálogo. Diálogo no mínimo deve ser a dois, participantes, num encontro ou saudável embate de ideias.

Abrir os ouvidos pressupõe disponibilidade. Abertura para entender outros universos, outros ambientes, outros pontos de vista. Surdos pela vontade louca de apenas falar, perdemos a maior parte das outras mensagens. Guerra infrutífera do proferir.

Disciplinar a atenção diz respeito também a escutar os desígnios que a vida nos entrega. Focalizar nossa percepção nas dicas, muitas vezes sussurradas, dos caminhos a seguir, ou daqueles em que somos necessários, oportunos.

Grande diferença entre o ouvir e o escutar. Transformação das sensibilização sonora em processamento auditivo. Decodificar a mensagem presente nas ondas mecânicas a trafegar pelo ar. Poder da tradução de sentimentos, sentidos e significados.

Exercitar a escuta aumenta nossa capacidade, continuamente. Aproveitamos melhor os momentos e respeitamos muito mais nossos interlocutores. Jogamos um jogo divertido, da troca que ao invés de manter as mesmas quantidades, aumenta o bolo sempre que é feita. A troca de ideias.

domingo, 15 de junho de 2008

Colheita

Se há trabalho no campo, por que há escassez de trabalhadores [1]?

É inegável o tamanho da messe, tal qual é a falta de pessoas vocacionadas a servir para seus cuidados. Há anos a busca por renovação no grupo de operários é perseguida, mas o passar do tempo não revela a evolução necessária.

Será que o trabalho é tão duro, para afastar o desejo de se engajar? Mesmo que pesado fosse, a recusa demonstraria a fraqueza de nosso grupo em formar pessoas com valores para enfrentar a labuta.

A desesperança poderia ser outro fator a influenciar. Quando a safra parece desandar, é preciso persistência para fazê-la render. Seria compreensível o desânimo... Só não seria humano. Somos resilientes!

Comumente é necessário um líder, para conduzir os grandes grupos, inspirá-los. Faltam líderes? Em princípio, não. Com pouco esforço poderemos encontrar diversos deles, lutando por sua plantação.

Divulgação é importante. Se não soubermos da oferta, não haverá procura. Novamente basta viver e ter contato com as mais diversas oportunidades para o trabalho. Só estando em outro mundo, em outra realidade, estaríamos alienados de sua existência.

Eventos passados, com maus resultados, despertariam a desconfiança. Com o insucesso certo, que motivos teriam para se arriscar? Idealistas suficientes há para não faltar mãos que acreditem, apesar de qualquer histórico, qualquer adversidade.

Sua gratuidade acaso atrapalha? Estaríamos nos esforçando para não receber nada? Em verdade, talvez falte perceber o valor verdadeiro, o prêmio real. Um prêmio certamente muito maior, acima das necessidades individuais de qualquer, suficiente para toda a comunidade.

Difícil entender, então, a raridade de candidatos a semeador ou colheiteiro. A reflexão nos mostrará alternativas e revelará nossas inconsistências, nosso manto sobre a visão. Deve apenas faltar aprender a refletir e assumir com coragem nossa vocação.