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domingo, 27 de abril de 2008

Alimento

Carência alimentar mundial é assunto premente.

Como é possível, com nossas imensas áreas de plantio, com toda tecnologia agropecuária existente, estarmos inaptos a atender a demanda da população global por alimentos?

Se cada pessoa plantasse para si, cultivasse a agricultura familiar, conseguiria sucesso. Especializamos o mundo, se não planto, para desempenhar outra função, outras pessoas assumiram a execução do plantio e trocamos nosso trabalho.

Unimo-nos para condições melhores. Ao menos essa foi a história vendida. Qual será a desculpa pela falta para alguns? Eles não têm o que trocar? Deixar de se preocupar e ficar a míngua? Ou não lhes foram dadas condições para participar? Ou pior, talvez lhes foram retiradas?

A culpa pode ser do Esopo. Em sua fábula "A cigarra e a formiga", nos foi apresentada a idéia do destino de alguns por simples desleixo. As formiguinhas trabalhadoras, submissas ao seu destino, operárias massificadas, ao menos não têm falta de nada no inverno. Em muitos comentários sobre a questão alimentar, há certo resquício de observação da falta de previdência.

Diversas são as notícias de produtores dispensando parte da colheita para regular preço. Dispensar nesses casos não significa distribuir, mas enterrar! Inutilizar ou guardar até o preço ser convidativo, ou suas "margens" estarem garantidas.

Maslow colocou a fisiologia como necessidade básica, primordial. Nada mais óbvio. Como alguém com fome pode pensar em qualquer outro objetivo diferente de sua sustentabilidade imediata. Ideologias à parte, o sucesso do programa "Fome Zero" era inevitável. Nem que fosse pela escolha do nome...

Com outros nomes, iniciativas como os "Amigos do Bem" cultivam o mesmo objetivo. Socorrer os mais necessitados, nos mais distantes rincões do país. Fazem mais diferença por, além de comida, proverem condições de continuidade e independência.

Santo Afonso também entendia muito bem do assunto. A Congregação do Santíssimo Redentor, querida por todo Brasil, foi formada fundamentalmente para a pregação de missões populares e ao atendimento dos mais desfavorecidos. Todos ordenados têm voto de pobreza e humildade, mas sempre têm boas condições de vida, afinal como pode um faminto auxiliar outro a se levantar?

Desconfio que outra carência alimentar precede a em discussão. Tem faltado mais alimento para a alma. A alma desnutrida enfraquece a visão humana das pessoas. Desumaniza. Enquanto a alma continuar enfraquecida, milhões de almas continuarão fisicamente desnutridas.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Mel

Mel é um alimento único, verdadeiro néctar da natureza.

Elaborado pelas abelhas, a partir de néctar recolhido das flores e processado por suas enzimas digestivas. É armazenado como reserva de sua alimentação durante o inverno.

Na minha infância, não fui muito fã dessa iguaria. Coisa de criança. Implicação com a intensidade do sabor, com a consistência do líquido, etc.

Depois de descobrir seus prazeres, virei apreciador. Nas suas diversas nuances, matizes e aromas. Associado a outros alimentos, forma combinações deliciosas. Quem nunca experimentou banana, mel e aveia? Hummmmm!

Lembremos também do pão-de-mel, caseiro de preferência. Uma boa pedida também são bolachas com mel em sua massa. Em pratos, como ingrediente, rende boas combinações: peito de frango grelhado com grãos de mostarda, pontinhos de pimenta e mel!

Independentemente se integrais ou não, calóricas (sim, mel é calórico sim) ou não, esse ingrediente nos rende uma enorme variedade de opções. Não sem motivos que ele está presente em nossa mesa há tanto tempo, acompanhando a história de nossa civilização.

No entanto, fiquei a pensar quanto trabalho não é necessário para uma abelha produzi-lo. O animal é pequenino, carrega um pouquinho de cada flor, em uma homérica viagem entre flores. Depois deposita sua contribuição na colméia e volta a sua rotina, para mais produção.

Está certo que uma colméia possui uma infinidade de indivíduos, com suas diversas funções e especialidades. Num grande esforço conjunto, conseguem produzir grandes quantidades do alimento. Então, chega o homem e retira esse seu trabalho... Isso soa um tanto quanto explorador.

Sei que elas não morrerão de fome, afinal o apicultor precisa continuar com seu negócio. Ao olhar nossa história conjunta, também parece ser prolífera, pois convivemos harmoniosamente por tempo. Fica uma pontinha de pensamento, um pequeno incômodo quanto aos papéis da relação...

Vou continuar a apreciar a iguaria. Apreciarei com a consciência do trabalho árduo para consegui-lo e o respeito por essas nossas irmãs insetos, que tanto trabalham para nos deleitarmos com seu alimento.