segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Deltora

Ao acaso podemos encontrar surpresas muito boas.

Fim de semana de verão, férias escolares, uma descida ao litoral, muito sol e calor, são bons ingredientes para começar. Em momento de descanso, peguei um livro pelo caminho, ao acaso.

Livro adolescente, de um adolescente, neste período muito mais interessado nos outros atrativos de seu mês de folga. Aliás, há um bom tempo interessado em outros assuntos, afinal adquiriu o livro faz mais de dois anos e ainda não terminou de lê-lo.

A obra em questão é Deltora Quest - As Florestas do Silêncio, primeiro volume de uma coleção de oito livros. Muitos podem reclamar da importação cultural, afinal temos uma autora australiana, com um enredo medieval europeu, como tantos outros. O fato é que foi bem divertido passar algumas horas envolto em suas linhas.

Todos os eventos se desenrolam em um reino fictício, com uma dupla empenhada em salvar sua terra do mal invasor e reinante. A autora Emily Rodda constrói um universo bem ao estilo Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien.

Repleto de criaturas fantásticas, muita magia e segredos dos mais diversos, a saga se desenrola de maneira deliciosa e cativante. Não há a pretensão de se equipar a obra de Tolkien, mas reside neste ponto o grande destaque. Ela é simples, objetiva, mas rica em conteúdo, o suficiente.

Pela ambientação e pela caracterização dos principais personagens, parece ser um enredo para conquistar adolescentes. Já existem outras duas sagas editadas, continuando a história dos companheiros na luta do bem contra o mal.

Ruim foi descobrir que alguns volumes estão bem difíceis de encontrar para compra, talvez pelo sucesso editoral, ou talvez por uma infeliz postura editorial. Já é possível encontrar a coleção em sebos, mas também com a falta de um ou outro volume. Além disso, a tradução poderia ter contado com a escolha de um outro título, como "Saga de Deltora", por exemplo. Tudo bem que ficou igual ao resto do mundo, uma maneira de criar identidade e comunidades pela Internet.

De qualquer forma, nas férias de verão, depois de muita diversão de praia, sol, brincadeiras e amigos, é uma boa opção para o tempinho do descanso.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Folia

Festa tradicional popular, principalmente no interior do país, a Folia de Reis é perpetuada por gerações.

Herança da cultura portuguesa, assumiu diversas formas pelas regiões onde é executada em nosso país. De maneira geral, os cantadores visitam as casas das pessoas, entoando suas músicas típicas, festejando o Natal com a representação dos Reis Magos.

É bacana perceber o quanto é preservado nesses locais o senso comunitário. Essencial para a manutenção de uma sociedade saudável, tal senso une pessoas desconhecidas em torno de uma identidade de grupo. A visita da folia é desejada e motivo de muito orgulho para os moradores.

Há elementos dos mais variados mantidos pela vivência dessa festa: músicas, roupas, ritos. A transmissão desse conhecimento promove até o respeito aos mais velhos, guardiães da tradição passada de geração em geração, de pessoa a pessoa.

As companhias da folia têm uma estrutura bem definida, com diversos papéis e funções: o embaixador e o contra-mestre a comandar, a bandeireira a carregar o estandarte, os diversos bastiões que acompanham, com diversas interpretações, além é claro de muitos foliões divididos em diversas vozes.

Através da manifestação natalina, se desenvolve a cultura artística, religiosa e folclórica. Além de tudo, ainda é muito divertida. É lúdica, uma celebração do Natal e da expressão popular. As crianças, não é preciso nem dizer, são cativadas imediatamente.

A expressão popular é sábia e reflexo dos anseios humanos. Dentre tantas folias populares, a de Reis é provavelmente a mais pura e sincera.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Descartável

Descartar é um ato não ecológico.

O descarte dispensa, desperdiça, desvaloriza, os bens produzidos. Tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista psicológico, observamos um comportamento negativo.

Nosso maior problema é termos como evolução de muitos produtos do cotidiano a sua transformação em descartável. É muito fácil, não? Não precisa limpar, arrumar e guardar. Basta descartar!

Vejamos o exemplo da inocente fralda descartável. Cada uma delas leva cerca de 300 anos para se degradar. Se levarmos em conta que começaram a ser produzidas nos anos 40, podemos afirmar que todas elas, produzidas em nossa história, estão em algum lugar por aí!

Parte do problema da fralda são os tratamentos químicos e os materiais estéreis utilizados em sua fabricação, para garantir a segurança dos bebês. Uma alternativa é o retorno às fraldas de pano. Quem se habilita?

Seria interessante alguém pensar em uma alternativa menos agressiva ao ambiente. Ela poderia ser reaproveitável, ou biodegradável adequadamente. Quem sabe uma versão 'orgânica', como já ocorre nos alimentos.

Começaríamos bem, para prosseguirmos com alternativas a absorventes íntimos, copos plásticos, guardanapos de papel, papéis toalha e toda sorte de maravilhosos produtos presentes em nosso dia-a-dia descartável.

Precisamos começar urgentemente, pois apesar de tanta 'descartabilidade', nosso planeta e nossa vida não são descartáveis.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Inusitado

Almoçar em São Paulo, em regiões de grande concentração de empresas, nem sempre é tarefa fácil.

A maioria dos lugares está cheio, com filas para atendimento ou com grande ocupação dos atendentes. Se levarmos em conta o horário apertado de muitas pessoas, a aventura se torna uma odisséia.

Espaço é também um componente escasso em muitos locais. Parecem ser poucas mesas, ou então estão amontoadas, em exíguo espaço, um empecilho até para o trabalho dos garçons.

Almocei hoje num local com uma proposta no mínimo inusitada: a Panificadora Ceci.

Situada na região do Planalto Paulista, é sucesso concorrido, com boas opções de lanches, salgados, pizzas e alguns pratos. A tradição de muitos anos, cerca de 60, garante a sua divulgação.

O local parece estar sempre cheio, principalmente nas horas de refeições. A grande diferença é a inexistência de lugares para sentar. Nada mais direto a se fazer: se há pouco espaço, as pessoas não se movimentam espontaneamente, então eles fazem com que também não seja fácil parar.

Não chega a ser incômodo e o cardápio compensa o desajeitado modo de serviço. Fiquei no lanche, para facilitar, mas existem os mais ousados, capazes de pedir uma refeição e se servir em pé mesmo, com garfo, faca, bebida e guardanapos.

Há também muitas opções de pães e doces, e um delicioso cafezinho para completar. Todas as opções são muito boas e o estacionamento é gratuito, cortesia da panificadora. A única fila enfrentada foi no momento de pagar, na saída, mas atendida adequadamente.

As dimensões de nossa cidade nos levarão a soluções desse tipo? Serão as melhores? Serão adequadas? Certo lá é apenas a satisfação com a boa comida.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Samba

"Quem não gosta de samba,
bom sujeito não é,
é ruim da cabeça,
ou doente do pé"


É comum a magia do samba tocar as pessoas. Mesmo os mais avessos ao gênero, quando fazem contato com os melhores representantes da música, se deixam levar e apreciam.

O gênero guarda grande intimidade com nossas raízes culturais. A proximidade é tanta que arrisco supor uma intensa e intrínseca conexão com o ritmo, existente em todo brasileiro.

Comprei e ouvi essa semana o último CD de Maria Rita, "Samba Meu". Neste trabalho, a cantora interpreta sambas inéditos de grandes compositores, contando ainda com a participação especial da velha guarda da Mangueira.

De maneira geral, o trabalho é bom, nos conduz em suas escolhas, como os outros anteriores da intérprete. Talvez pela certa falta de novidade, é meio arrastado no começo, um pouco monótono, repetitivo. A mudança ocorre após a faixa "Tá Perdoado", uma de suas músicas de trabalho.

A partir deste ponto, a variedade de interpretações e ritmos, bem ao estilo da cantora, agrada bastante.

Além da boa música, o CD motivou o conhecimento de um pouco mais sobre o estilo musical. Revelou-me um samba que, apesar de familiar, surpreendeu como um desconhecido inusitado e complexo de maneira interessante.

Aquilo chamado 'samba' se estende por diversas nuances, demonstração clara da diversidade de influências e contribuições das mais diversas culturas em sua formação. Lembra-se até o fato de a Bossa Nova ser um estilo de samba, de um jeito novo.

É interessante que, de certa forma, a cantora sempre flertou com o ritmo, afinal seu estilo musical tem a assinatura da Bossa Nova, por herança ou opção.

De desagravo só mesmo a escolha do nome do CD. 'Samba Meu' possui um tom individualista, um tanto egoísta, sobre um tema tão difundido entre nós. A escolha pode ter seus motivos, mas me agradaria muito mais um 'Samba Nosso'.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Deserto

Deserto é um conceito relativo.

Como tantos outros conceitos desenvolvidos, deserto é uma abstração de local vazio. É bem sabido que mesmo no deserto real, há vida, existe um ecossistema, inclusive extremamente sensível e frágil.

Devido à fuga em massa de seus habitantes, São Paulo, nesse primeiro dia do ano, se assemelha a um deserto. A cidade que nunca para, quase para nesses dias de final de ano.

Quase para, pois ainda há movimento, muito além do que muitas outras cidades. Porém, para os padrões da cidade é quase nada. É como se pudéssemos considerar um movimento invisível.

É divertido observar as veias abertas da cidade, suas marginais, radiais e grandes avenidas, com um tráfego tranqüilo. Tornar-se possível atravessar grandes trechos da cidade em apenas 15 minutos. Um verdadeiro deleite!

Filas ainda estão presentes nos super, mini e hipermercados. O que as pessoas vão fazer no dia 31 em um supermercado? Aliás, o que eu estava fazendo lá? É o hábito, ou quase vício, de usar os serviços 24 horas, deixando para realizar algumas tarefas só quando necessário, sem antecipação.

Até mesmo passear pela Avenida Paulista, um dia antes da 'festa de virada', é um momento único durante o ano. A comumente agitada e frenética via estava como uma rua de cidade do interior, com transeuntes calmos, turistas contemplativos e um sol de rachar.

A cidade ganha um espírito calmo, de descanso, de reinício. Ganha um novo fôlego, para se superar e conseguir enfrentar os novos, às vezes um tanto velhos, desafios.

Em meio ao deserto, num respiro de vida da existência, surgem oásis responsáveis pela lembrança que ainda há horizonte.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feliz 2008

Primeiro dia do ano: Dia Mundial da Paz.

A Paz nos basta. É produto de todo o bem e dela todo ele provém.

Quando a boa vontade impera, quando nos lembramos dos mais fracos, quando praticamos o bem, a paz é uma conseqüência natural. Com a chegada da paz, as pessoas têm mais condições de propagá-la, de se ambientar para uma vivência mais fraterna.

Ela está longe de ser uma situação passiva. Deve ser construída e conquistada diariamente, em pequenos, mas fundamentais, passos. Ações de proposição de um mundo melhor. Um mundo com a presença do espírito humano mais pleno.

Celebramos a chegada de um novo ano. A celebração é feita para marcar, em nosso calendário e em nossos corações, a promessa de tentar mudar, mesmo que um pouquinho.

Esse ano, o tema é a 'Família Humana'. Comunidade primária e tão esquecida, a família é o berço de geração da paz. Canteiro de cultivo de almas, abertas aos ares de uma humanidade mais feliz, se assim desejarmos e deixarmos como herança.

A família assume as mais diversas configurações. Há mais famílias tradicionais, com todos os seus papéis. Há famílias com apenas alguns, mas do mesmo modo repletas de amor. Há famílias com novos papéis, tão importantes no mundo moderno. Há famílias de amigos, unidos no mesmo ideal. Independentemente de sua configuração, felizmente ainda há, e sempre haverá, famílias.

Desejo a todos os amigos, conhecidos e desconhecidos, um novo ano repleto de muita paz, com suas famílias. Para tanto de bom, tão pouco nos basta...